O que é MFL 2009

8ª. Mostra do Filme Livre
Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro

Depois de meses de curadoria a MFL 2009 já tem seus protagonistas. São centenas de filmes que comporão a programação do evento, que acontecerá no CCBB-RJ e em outros pontos da cidade, de 7 a 26 de abril.
Dos 705 filmes inscritos, entre curtas, médias e longas-metragens, 229 foram selecionados para as sessões competitivas e informativas. Outros 100 filmes participarão como convidados de sessões especiais como " Sexuada", " Pílulas", " Mundo Livre", "Infantil" e " Curta o Curta", entre outras. Confira a programação completa aqui.

Em 2009 a MFL homenageará o artista multimídia Sérgio Ricardo, com a exibição de todos os seus filmes, entre eles os raros " A noite do espantalho" e " Juliana do amor perdido", além do longa " Deus e o diabo na terra do sol", de Glauber Rocha, cuja clássica trilha sonora é de Sérgio Ricardo.

A produtora de Santa Catarina, Canibal Filmes, do videasta Petter Baiestorf, que já teve vários de seus filmes exibidos nas edições anteriores da MFL também ganhará uma retrospectiva com alguns de seus filmes mais representativos. Petter vem à MFL participar de debates e fará parte do júri do evento.

Outro destaque desta edição é a retrospectiva "Novos Mineiros", que vai exibir e debater com os autores as obras de novos artistas audiovisuais das Minas Gerais, são eles: Gabriel Sanna, Igor Amin, Joacélio Batista e Vinícius Cabral.

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Sobre filme, olhar e liberdade

Sou calouro dentro da curadoria da MFL. Trabalho com as mesmas queridas pessoas há seis anos, mas anteriormente me detinha à produção dos panoramas e do seu processo de inscrições. Desde sempre, ao comentar sobre a existência da mostra, os ouvintes atentos têm o costume de imediatamente perguntar: “O que é um filme livre?”. No lugar de ter uma resposta pronta e que fecharia a questão, indico a estes que leiam os diversos textos espalhados pelos oito catálogos anteriores a este e que possuem idéias diversas sobre esta definição.

Não se trata de atribuir o rótulo de liberdade a algo preso e prévio ao filme, ou seja, a um ideal pseudo-vanguardista dado pelos meus gostos. Acho que minha análise crítica e meu martelo batido a favor da exibição de tal obra audiovisual devem partir da obra que acabei de apreciar. Caso esta seja positiva, caso julgue o filme “bom” e sua exibição importante e suscitadora de um mínimo debate por parte de outros espectadores, logo posso concluir que tal filme “é livre”. Parece algo simples até demais, mas é desta forma que consigo funcionar. Outra característica que parece constante à boa parte dos “filmes bons, logo livres” que vi durante a mostra é a própria abertura de suas estruturas. Da mesma forma como me agradam as obras que não são facilmente encaixadas em modelos estanques de análise e crítica, dou especial valor àquelas imagens em movimento que não trancam a interpretação do público.

Lembro de Marcel Duchamp e do dito “coeficiente artístico”, a necessidade da participação ativa (intelectual mesmo) daquele que aprecia uma obra de arte. O artista francês colocava-se contra a arte “meramente retiniana” e julgava essencial, por exemplo, a cultura artística do Renascimento e suas formas capazes de fazer com que um historiador da arte como Erwin Panofsky sugerisse formas específicas de análise (a iconologia) para seu montante de alegorias e significados possíveis. Àquilo que Panofsky constatou, ou seja, a necessidade de uma participação hiperativa por parte do público da época e dos estudiosos contemporâneos a nós durante a leitura destas imagens, igualmente dei valor positivo quando me deparava com obras que deixavam clara sua ausência de certezas seja em sua visualidade, seja em seus depoimentos, seja em seus personagens, seja mesmo, e principalmente, nas habituais mini-certezas de um espectador ou de um curador já cansado e com possíveis olhos e opiniões viciados.

Se a liberdade fílmica não está na forma audiovisual, nada mais justo que minhas apreciações, as de Chico Serra, Christian Caselli e Guilherme Whitaker não sejam coincidentes, proporcionando este variado leque de opções artísticas, compromissos e resultados finais. Retornando ao começo de minha argumentação, em vez de dar qualquer tipo de resposta curta e simples (ou prolixa e pretensiosa) ao tópico “O que é um filme livre?”, parece-me mais justo convidar aquele que pergunta a vivenciar algumas sessões de nosso festival e incentivá-lo ao seu próprio responder. Como contrapartida, obviamente, o melhor que posso fazer é ouvir suas opiniões, da mesma forma como ele lê este texto, e dialogar. Construir em conjunto nossos conhecimentos, mesmo que estes apontem para lados de oposição extrema. Aprender a “viver juntos” (como uma Bienal de São Paulo já disse) e respeitar as diferenças. As imagens ali estão e, como o projeto gráfico deste ano indica, a atribuição de um significante e significado a estas está dentro de cada um. Talvez soe cafona e com toques de um humanismo difícil de ser imaginado (resgatado?) na sociedade e nas relações humanas que tecemos atualmente, mas para fruirmos “filmes livres” precisamos ter olhos igualmente livres.

Raphael Fonseca




Você pode até duvidar do que vê, difícil é duvidar que esteja vendo

Guilherme Whitaker

Cada vez mais e mais o mundo se faz dependente de novas tecnologias em vários níveis. Já existem câmeras quase invisíveis e celulares que projetam filmes, sendo ainda lenta, mas muito evidente, a escalada de opções que nos próximos anos chegarão ao mercado captador e difusor audiovisual e as infinitas  formas com que isso tudo já interage com o social, o cultural, o mental e etc. Frutos da informática aplicada a transformar os agoras em mais do que de fato são? Mundos de ações virtuais cada vez mais presentes em quase tudo hoje. Para um evento como a mfl, estar atento a isto é apenas o mínimo, sendo natural até, visto que apenas existe tal evento por conta destas possibilidades geradas destes encontros de necessidades diversas, como a de se mostrar/pensar filmes feitos sem apoio estatal direto, filmes brasileiros de baixo custo mas muita, muitas qualidades. Como esperado, a tendência é aumentar tanto a quantidade de filmes feitos assim como a qualidade destes, seja em questões técnicas eou estéticas, os filmes livres estão a cada ano mais ousados audiovisualmente. 

Isso porque queremos não apenas exibir filmes feitos de forma independente, mas os que além disso carregam também diferenças que interessam à linguagem, não do cinema, mas do audiovisual, não importando como se capta e sim a chance de exibi-las. Essa diversidade de opções muito ajuda a mfl a se destacar no cenário de festivais nacionais. Fomos os primeiros a aceitar qualquer tipo de filme e também quem os exibiu em todas as suas bitolas numa mesma sessão, até para que o público em geral começasse a perceber (ou mesmo nem se importar) com as diferenças técnicas, importando mais o resultado refletido na tela. Neste emaranhado de possibilidades, a curadoria da mfl focou em obras que não se limitam a fazer o que já tem sido feito por aís, mas que, ousassem quebrar tais modelos a fim de que algo novo à linguagem surgisse não de forma gratuita, mas coerente com sua proposta em si. Ou seja, filmes que, além de serem ousados, também fossem coerentes com a forma/fórmula às quais se propunham a ser audiovisual.


Em fev/março de 2008...

A sétima edição da Mostra do Filme Livre exibirá 280 filmes brasileiros entre curtas e longas realizados em qualquer época, de todos os suportes e gêneros, a grande maioria realizada de forma independente, sem o apoio direto do Estado. O realizador Joel Pizzini e a produtora Plus Ultra, que completa 10 anos de vida, ganharão retrospectivas completas de seus filmes. Durante três semanas e gratuitamente o público participa também de debates relacionados ao audiovisual brasileiro feito de forma independente, punk. Também estão previstas sessões especiais como a “Sexuada”, "Mundo Brasil" e “Invisível”, além de sessões comentadas. Novamente a MFL também acontecerá em diversos pontos do Estado do Rio, através da parceria com a ASCINE, Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro. A entrega dos prêmios nas 3 categorias (Filme Livre!, Oficinando e Caríssima Liberdade) será na sessão de encerramento. E pela primeira vez acontecerá em paralelo à MFL a Feira Livre – Feira Audiovisual do Rio, visando iniciar uma rede de contatos e negócios para quem faz e/ou quer exibir filmes independentes, algo sem igual no Brasil.


A Mostra do Filme Livre, MFL, é pioneira na aceitação e exibição de filmes de todos os formatos, durações e gêneros, sendo ainda o único evento que aceita filmes realizados em qualquer época.

Assim, a MFL é um grande painel de filmes que experimentam caminhos e atalhos na atual linguagem audiovisual, preferencialmente (não excludentemente) filmes feitos sem apoio estatal direto. Além de exibir, debater e premiar os filmes livres que mais se destacaram na opinião da curadoria e do júri, a MFL publica textos sobre os filmes indicados aos prêmios e promove uma série de atividades paralelas, como oficinas e debates. A MFL também integra o Circuito Ascine de Cineclubes, promovendo sessões em diversas regiões do Estado.

PODEM PARTICIPAR DA MFL FILMES: (inscrições para MFL 2008 encerradas)
DE TODAS AS ÉPOCAS – cinema não tem prazo de validade, filmes de qualquer idade podem participar. Na MFL eles ainda concorrem em aos prêmios como se fossem filmes recentes.
DE TODAS AS DURAÇÕES – de curtas de menos de 1 min. até longas, sem esquecer os médias.
DE TODOS OS GÊNEROS – filmes experimentais, documentais, ficcionais eou animados.
DE TODOS OS FORMATOS – tanto faz se foi filmado em VHS, celular, Mini-Dv, DVD, Beta, 16mm, 35mm, HDV, Super8 ou pela cãmera de fotos da vizinha.
INDEPENDENTES (do Estado) em DESTAQUE – filmes realizados sem verba pública concorrem ao troféu Filme Livre! e vários serviços audiovisuais.

FILMES de ESCOLA - realizados em escolas ou oficinas de cinema/vídeo, concorrem numa categoria especial, Oficinando, com direito ao Troféu Filme Livre! e serviços audiovisuais.

Os filmes realizados com algum tipo de apoio estatal direto concorrem ao troféu Filme Livre! na categoria Caríssima Liberdade.

Para a edição 2008 da MFL se inscreveram 691 filmes, veja AQUI mais infos relativas às inscrições (como UF dos filmes e durações)  confira em janeiro, aqui mesmo, a relação dos filmes selecionados. 92% (536 filmes) dos inscritos não tiveram apoio estatal direto na sua realização. Que tal?

Félicidades,

Guilherme Whitaker
Coordenação Geral

(A Mostra do Filme Livre (MFL) nasceu há 8 anos no Rio e, desde então, vem sendo também um evento experimental, que se permite inventar, a cada edição, métodos diferenciados em sua curadoria, programação e realização. Exemplos? aceitar filmes de todos os formatos, gêneros e durações, e não bastando isso, filmes de todas as épocas, algo inédito no mundo brasileiro; também a valorização, com prêmios exclusivos, para filmes realizados por própria conta, sem apoio estatal.




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