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10 anos de PLUS ULTRA - retrospectiva completa e debate na MFL


Dez anos depois de sua criação em Niterói pelos irmãos Leonardo e Gustavo Duarte (foto), a produtora PLUS ULTRA tem, como uma de suas características principais, a diversidade de temas e formatos.

Encontramos lado a lado um documentário tradicional como Fawcet, o enigma de um explorador, de 1999; uma reportagem informalíssima sobre uma reunião de travestis na Cinelândia (Chega mais, de 2000); um docudrama social (O engraxate-2002, premiado no Festival de Brasília); um exercício de voyeurismo em tempo real (Janela – 2001); e por aí vamos. O que os une é o enfoque sobre tipos e situações do Grande Rio, a freqüente ausência (salvo raríssimas exceções) de narração ou diálogos, o uso de trilha sonora original, as longas panorâmicas.sobre escombros sociais e humanos. Algo que se aproxima de um estilo.

Por vezes são apenas registros, quase sem nenhuma intervenção (Karajás -1998, Os manos – 2004). Mas nem sempre é assim. Vejamos, Caximbau – 1998 e O proibidão: Caximbau 2, que apresentam visões diferentes do mesmo fato (o divertimento de travestis, pivetes e malandros barra pesada num navio abandonado na baía de Guanabara), algumas vezes usando as mesmas imagens. Se o primeiro chega a ser poético - com cromatismos que nos remetem a um outro mundo, onírico, uma espécie de temporada num Inferno colorido - o segundo é ainda mais cru, e transitamos aqui cada vez mais no universo maldito de um Jean Genêt ou de um Kenneth Anger. São documentários ou ficção?

O mais recente, Independência ou morte – 2007, usa a linguagem fragmentada do videoclipe para construir um poema pop, que também pode tomar a forma de reportagem ou de colagem ou de panfleto.

Eu diria que não existe apenas uma, mas várias Plus Ultra.

E recomendo todas elas.

João Carlos Rodrigues

Em breve a programação completa da retrospectiva 10 anos de Plus Ultra na MFL 2008.








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