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Conheça os filmes indicados na categoria filme Livre!

O principal prêmio da MFL é o Filme Livre!, para filmes realizados sem apoio estatal direto, filmes de qualquer época, duração e feitos em qualquer formato. Para 2008 os indicados a este prêmio são:

Homem-Coxinha 2: Uma aventura no velho oeste

SP, 2007, 15’, dVd. de Eduardo Perdido.
Tudo começa quando o Homem-Coxinha, personagem principal desta insólita trama, encontra a lagarta do tempo, criatura que o ajuda a realizar um antigo sonho: o de conhecer o Velho Oeste. Lá, os vegetais imperam e as proteínas animais não têm vez. Conclamado a duelar para continuar vivo, nosso herói depara-se com uma fada madrinha que lhe dá algumas moedas e lhe mija a cara. Na hora do duelo, seu avô aparece para defendê-lo, mas, em contrapartida, a mulher-alface de seus sonhos acaba baleada. Quando tudo parecia estar perdido, um pangaré em estado adiantado de paudurescência aparece para salvar a pátria. Na volta do Velho Oeste, já cansado de tanta aventura, o Homem-Coxinha reencontra a lagarta do tempo que, como uma esfinge nãodecifrada, devora sua carne de frango. Uma animação realmente animada, imprópria para crianças e recomendável para adultos levemente depravados. (Poliana Paiva)

Convite para jantar com camarada Stalin
MG, 2007, 10’, 16mm/dVd. de Ricardo Alves Júnior.
Se existe algo que dá prazer em fazer a curadoria de uma mostra é notar a variedade de tendências estéticas espalhadas nas cucas maravilhosas desse brasilzão-de-meu-deus e verificar como os novos talentos vão se formando. José Ricardo Alves Jr. parece ser um deles. Tendo impressionado e ganho prêmios com seu curta “Material Bruto”, ele torna a surpreender com este “Convite”, mesmo tendo sido perfeitamente coerente com o estilo delineado anteriormente. Desta vez, em uma construção minimalista com pouquíssimos planos, tipo uns 6 ou 7, ele volta nos sugerir as mais múltiplas e não-óbvias situações, tanto de afeto quanto de isolamento, ao improvisar com apenas duas senhoras não-atrizes. O resultado, não por acaso citando nas entrelinhas Samuel Beckett, transforma Stalin numa espécie de um Godot um pouco mais palpável, mas igualmente inatingível, simbolizando, quem sabe, o que todo mundo espera no fim das contas da vida. Independente de quem tenha sido Stalin. (Christian Caselli)

Tripulante
RS, 2007, 10’, dVd. de Dirnei Prates.
Já não é uma surpresa em toda MFL receber dvds contendo diversos curtas de dois realizadores gaúchos: Dirnei Prates e Nelton Pellenz. Que e trabalham diversas vezes em conjunto, com obras voltadas mais para a videoarte. Sempre que possível, selecionamos o máximo de obras dos dois, pois é notório o caráter de investigação contido em cada filme. Porém, por ser esta uma mostra dando maior ênfase para o cinema e não para outras artes (pelo menos por enquanto, pois lutamos a cada edição misturar todos os gêneros), os dois nunca tiveram um filme indicado. Mas em 2008 foi a vez de Dirnei Prates com o seu melhor filme até então, “Tripulante”. Com uma duração um pouco maior do que de costume, o cineasta artista consegue construir um verdadeiro poema visual livre, misturando diversas bitolas – principalmente o cada vez menos lembrado VHS – para construir as sensações mais diversas a quem o assiste. (Christian Caselli)

Sós na Fronteira
RJ, 2006, 7’, dVd. de Ricardo Targino.
A solidão, a paranóia e o pânico do fim do mundo, tão comuns ao cidadão de classe média das megalópoles, beiram o grotesco neste vídeo, onde uma madame moradora próxima de alguma favela carioca reflete sobre estar na fronteira entre o asfalto e a favela. Seu interlocutor é o câmera, que não lhe faz perguntas, deixando a personagem a vontade para falar de seus preconceitos, paranóias, e uma de suas maiores preocupações: sua cachorrinha poodle, que, coitada, sofre depressão e, de tanto tomar remédio tarja preta, possui um instinto suicida. Mas tudo bem: as farmácias, veterinárias e academias do bairro têm a solução. (Chico Serra)

Saliva
SP, 2007, 15’, 35mm. de Esmir Filho.
Uma coisa que pode ser notada sem maiores dificuldades é a progressiva inserção do paulistano Esmir Filho no cenário cinematográfico brasileiro. Mas tal mérito não é por acaso, já que é perfeitamente notório o quanto o cara vai melhorando na mesma medida. Se o seu primeiro curta-solo “Ímpar Par” pecava em excessos de uma muito bem produzida fantasia meio-naif, em “Tapa na Pantera” (sim, ele é um dos diretores do clássico do Youtube) isto não foi mais problema. Mas a consagração veio com o singelo “Alguma Coisa Assim”, premiado em Cannes, tendo como tema as revelações sexuais do fim da adolescência. Com “Saliva” ele retoma a descobertas ainda mais anteriores, tendo como mote o primeiro beijo de uma pré-adolescente. Optando por fazer um filme muito mais sensorial do que narrativo – algo que fez valer esta indicação – todos acabam se identificando com a personagem principal lembrando do belo dia que fizemos o mesmo. O resultado beira ao experimentalismo e ainda assim vozes contra o filme ou contra o cineasta o acusam de ser parecido com um comercial de tv. Bobagem. Agora Esmir prepara o seu primeiro longa. Torçamos que siga o mesmo grau de evolução. (Christian Caselli)

Abatedouro

MG, 2007, 9’, dVd. de Vinicius Cabral.
A metáfora da imagem de um abatedouro, construído em forma de espiral, onde os bois vão saindo um a um para serem abatidos, é o ponto de inspiração para este vídeo (arte?) documentário que fala de vários assuntos. A metáfora está na forma de fazer arte e na vida, segundo o autor em conversa com Dellani Lima, quando a gente sai deste curral em forma de espiral, de alguma forma somos também abatidos. Daí a necessidade de criar novas imagens, novas formas de inventar o vídeo e a vida, daí a necessidade de novos personagens, como a figura entrevistada que vive a vida como se fosse uma onda de chá de cogumelos, uma nobre possibilidade de fazer a “alma voar”... embora deixe algumas seqüelas... (Chico Serra)

Luzia, Alisson, Israel, Bo, Tullio e Kniggia
PR, 2007, 11’, 35mm/dVd. de Ricardo E. Machado.
É interessante acompanhar, no caso, pela mfl, o desenvolvimento de certos autores e como eles conseguem manter uma coerência ou uma renovação estética. O segundo caso é o que acontece do curitibano Ricardo E. Machado, habitué aqui da mostra (foi inclusive jurado no ano passado). Ele, que já havia chamado a atenção com “Gringo in Rio”, que retrata perfeitamente o Rio de Janeiro como em poucos documentários, e ganhou certa notoriedade com o singelo e tocante “Tchau, Pai”. Agora, com “Luzia, Alisson, Israel, Bo, Tullio e Kniggia”, ele surpreende e propõe uma forma praticamente inédita em compor um painel sobre estas pessoas-título. Trata-se mosaico vai se compondo como um quebracabeça de subjetividades escolhidas a dedos pelo diretor, mas que, no fundo, parecem com a própria vida, quando esbarramos em mil idiossincrasias até quando perguntamos “que horas são?”. (Christian Caselli)

Pirinop, meu Primeiro Contato
AC, 2007, 83’, dVd. de Karane Ikpeng e Mari Correa.
O que o projeto Vídeo nas Aldeias trouxe de mais inventivo na linguagem audiovisual dos documentários sobre povos indígenas foi, evidentemente além da possibilidade da autodocumentação, onde o olhar antropológico de fora para dentro é substituído por uma atuação maior dos índios, que dirigem os filmes, operam câmera, editam, etc., mas a abordagem de uma temática pouquíssimo explorada pelo documentarista-homem-branco: os conflitos internos, a comunicação verbal e não verbal entre os índios, a necessidade da auto-etnografia sem o olhar exótico do homem-branco, se aproveitando da sua tecnologia, mas não se deixando dominar por suas amarras narrativas ou sua visão de mundo, dialeticamente oposta a forma de organização e pensamento indígena. “Pirinop, Meu Primeiro Contato”, documentário de Karané Ikpeng e Mari Corrêa(coordenadora do Vídeo nas Aldeias, ao lado de Vincent Carreli), fala sobre exílio, nostalgia, a lembrança de um outro tempo, e a função do cinema como memória. Imagens de arquivo do primeiro contato dos irmãos Vilas Boas com o povo Ikpeng são comparadas as memórias dos que sobreviveram, numa auto-análise dos 40 anos desde a chegada do homem-branco, sua ida forçada para o Parque do Xingu, até o retorno a sua terra de origem, as margens do Rio Jatobá. Num dos primeiros depoimentos do filme, um índio ancião reflete: “ Antigamente não havia homens brancos... Era tão bom sem eles...”. Esta reflexão histórica, relatada do ponto de vista indígena, vem carregada de uma auto-crítica apuradíssima, quando num outro depoimento, depois de retornado a sua terra de origem, um dos Ikpeng afirma que se eles soubessem a língua do homem branco, talvez não tivessem a ingenuidade de aceitar o exílio no Xingu como única possibilidade de sobreviver as guerras e as doenças. E ressalta consciência da necessidade de retorno do espírito guerreiro: “Hoje precisamos de guerreiros que precisam guerrar no papel... O papel dói mais”... diz uma das lideranças Ikpeng, já no final do filme, “Precisamos apontar a flecha para a câmera”... (Chico Serra)

O Homem da Árvore
SP, 2006, 19’, dVd. de Paula Mercedes.
Retrato em cores fortes da desigualdade na qual está submerso nosso país, “O Homem da Árvore” narra a história de Mário, ex-presidiário que luta para provar sua inocência. Durante os anos de prisão, instruiu-se e, depois de solto, foi morar numa árvore em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Seus sapatos gastos de tanto correr atrás da justiça não lhe tiram a elegância. O filme passa longe da vitimização e do rancor, mais comuns em denúncias dessa ordem. Indo na contra-mão dessa tendência, a crítica que se faz é cheia de humanidade, beleza e, principalmente, dignidade. (Poliana Paiva)

Fracasso
ES, 2007, 14’, dVd. de Alberto Labuto Junior.
Simplesmente o filme mais circular de todos os tempos. O desespero de quem vê se une ao do artista que faz o mesmo desenho incessantemente, mas não é o mesmo desenho, pois o próximo, o novo, sempre carrega diferenças, às vezes sutis, às vezes claras, com relação aos desenhos que se foram. Apenas o modelo do que se quer expressar segue o mesmo, um cenário, um portão, um pátio e os tais movimentos circulares e repetitivos, até que... (Guiwhi Santos)

Todos os filmes passam misturadamente nas sessões Panoramas Brasil, na sala de cinema do CCBB-RJ.








Mostra do Filme Livre 2011
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