Curtas e debate com Joel Pizzini no cinema do CCBB-RJ - Veja fotos!

Rolou na sala de cinema do CCBB-RJ 3 curtas e logo após, debate com Joel Pizzini, com mediação de Christian Caselli. Na ocasião Pizzini, o homenageado da MFL 2008, recebeu o troféu Filme Livre!, para que fique mais que registrado nossa grande admiração por sua obra, exibida na íntegra no evento.
Os curtas são "Caramujo-Flor", um ensaio de ficção poética que reiventa o itinerário da poesia de Manoel de Barros, através de uma colagem de fragmentos sonoros e visuais, "Enigma de um dia", quando um funcionário de museu - o vigia - motivado pelo quadro homônimo de De Chirico, é introduzido, através do cotidiano, no universo metafísico do pintor italiano e "Dormente" (foto ao lado), que trata de estações, trilhos e cabos elétricos que alinham os quadros noturnos que, sob luzes artificiais, revelam formas sem contorno, forças paralisadas, gestos repetidos, compondo a memória, os auto-retratos e a escuridão da viagem cotidiana.

(texto de KZL publicado no catálogo da MFL2008)
Em um texto clássico, Pier Paolo Pasolini propôs uma diferença clara do que chamou de “cinema de prosa” e “cinema de poesia”. Sem estabelecer valores entre estas duas modalidades, definiu que a primeira estaria para a narrativa tradicional, em que, através da representação de atores, forja-se uma simulação de realidade para gerar uma identificação de situações, cotidianas ou não, por parte da platéia. Já para o cinepoema, isto era o que menos importa, mas sim a experimentação de linguagem em prol de sensações mais diversas. Influenciados ou não por Pasolini, vários cineastas brasileiros que seguem a linha poética, mas poucos os que assumiram tanto esta bandeira quanto Joel Pizzini. Não à toa, sua estréia no curta-metragem foi o premiado e importante “Caramujo-Flor”, baseado na obra do poeta Manuel de Barros. E assim foi seguindo com outros curtas e médias (como a série de biografias que fez para o Canal Brasil), até chegar seu primeiro longa, “500 Almas”, onde se viu em uma encruzilhada: como documentar um drama indígena mantendo-se fiel às suas concepções? O resultado é o que veio a chamar de “etnopoesia”, termo que lhe deu sustentação para seguir em frente e concluir o filme, após anos e anos de filmagem. 

E é com muito orgulho que a mfl resolve homenagear Pizzini – até seria inevitável, já o mesmo recebeu duas vezes o nosso troféu “Século xx” e foi jurado na edição de 2006. E temos mais orgulho ainda porque o seu mais recente longa-metragem, “Anabazys” – premiado em Brasília com a melhor montagem – será exibido pela primeira vez no Rio através do nosso evento. Mas ninguém é melhor do que o próprio cineasta para descrever sua trajetória – por isto, montamos aqui uma ampla entrevista para que o próprio cineasta se exponha para todos nós.

Confira AQUI uma zensacional entrevista com Pizzini.



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