Cinema de Contestação

por Francisco Serra (Publicado no catálogo da MFL 2005)

As telas dos cinemas comerciais e das tvs abertas atualmente se ocupam em difundir o sexo e a violência como espetáculos da banalidade tropical. As tvs alternativas (comunitárias e universitárias) cumprem sua função transformadora ainda timidamente, pois a transmissão desses canais é restrita por razões econômicas (só chegam às tvs fechadas, por assinatura) e por regulamentações burocráticas ditadas pelos poderosos das telecomunicações...

Nos cinemas, as cópias de filmes estrangeiros (especialmente norte-americanos) dominam cerca de 90% do mercado nacional. Segundo o jornalista e escritor Eduardo Galeano, em seu livro De pernas pro ar, mais da metade do que ganha Hollywood vem dos mercados estrangeiros, e essas vendas crescem num ritmo espetacular. Durante o Fórum Social Mundial, em 2001, em meio a uma manifestação do MST, o cineasta Paulo Cezar Saraceni proclamou que o cinema norte-americano é transgênico...

Ao mesmo tempo, em outras telas, movimentos de filmes livres, independentes e paralelos ao circuito comercial se multiplicam, em defesa de um cinema de contestação e na contra-mão da estética comercial cine-televisiva. Ainda que de forma dispersa, é possível encontrar em escolas de cinema e sobretudo em iniciativas de jovens realizadores uma numerosa produção de curtas metragens que contestam a trágica situação de nossa produção audiovisual, apresentando inovações estéticas e temáticas, a fim de libertar nossas telas da mediocridade cultural dominante e das tentativas extorsivas de transformar o cinema em simples entretenimento.




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